(Maria Tereza - Jornal O POVO ONLINE - 11/09/2010)
Fiquei sensibilizada e estarrecida com uma reportagem apresentada pela TV Record, no Jornal das 20h, em que apresentava como personagem uma professora traumatizada que adoeceu com a Síndrome do Pânico, por conta da indisciplina proveniente dos alunos de uma escola pública situada no estado do Rio de Janeiro. Forçosamente, esta melindrada profissional foi induzida a colaborar nesta reportagem para mostrar à população o descaso e desrespeito dirigidos a uma cidadã - profissional da educação, que, provavelmente, doou até seu último sangue para aquela tão malfadada instituição escolar. Os repórteres fizeram um teste para medir o grau de pânico que essa professora demonstrava ao se aproximar da escola onde havia lecionado por algum tempo. Seu coração pulsou quase ao limite máximo. Ser professor neste País é ser "um sacerdote candidato ao martírio", a começar pelo desprestígio no que se refere à desvalorização do profissional na questão relacionada à sua remuneração. Por outro lado, nas universidades, estes não são preparados psicologicamente para exercer o magistério. O professor recém-formado tem precários ensinamentos para desempenhar bem o seu papel em sala de aula. Dia após dia, ano após ano, na prática - comendo o pão que o diabo amassou - ele vai se inserindo no contexto, e daí, fortalecendo suas forças para aturar os insultos por parte dos alunos que não são educados para valorizar o professor e o ensino proporcionados a eles pela escola pública. Ainda mais, depois de passar por testes, como: final do mês, salário minguado; corpo cansado; mente perturbada; voz fônica etc.
E a educação? De mal pra pior. De acordo com recente pesquisa, o Brasil está no 87º lugar no ranking da educação. Para o brasileiro desinformado e acomodado, isto nada representa, mas se falando de futebol nem me fale, a tristeza corre de graça. Mas, para os que realmente querem fazer a diferença isto tem que mudar, e mudar para bem melhor. Portanto, seria bom que os nossos governantes estivessem assistindo esta reportagem para tomar consciência se eles a usam da educação do nosso povo. Esta cidadã educadora é mais uma vítima do descaso social-político-econômico daqueles que se proclamam aos quatro ventos, em seus discursos eleitoreiros, políticos preocupados com o cidadão brasileiro. Mas que, realmente, na época das eleições, se travestem de vendedores de ilusões. Inventa mais uma, que essa já passou dos limites! Analise o leitor agora a situação de outros profissionais dedicados à educação e formação desta geração de jovens rebeldes, para daí perceberem a falta de compromisso da sociedade para com aqueles que dão sua vida em prol da educação dos jovens deste jovem país.
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